“Meu corpo, minhas regras”?

Quem de nós mulheres pode estabelecer uma regra própria aos seus respectivos corpos? Acaso o que importa nesta sentença é unicamente o nível civil, como se esse estivesse apartado da natureza? Claro que nesse âmbito o nosso corpo não é (ou não deveria ser) propriedade de homem algum nem do Estado e das demais organizações humano-normativas. Contudo os correntes discursos da conquista ególatra do copo são perigosos e, se inseridos fora dum discurso tagarela, ou seja, daqueles que falam demais sem nada dizer, são incapazes de pautar a liberdade acerca dos corpos vulgarmente considerados das mulheres. A mulher – assim como o homem, os animais, as plantas, os planetas etc – está submissa a uma Lei muito maior pela qual a Natureza em sua totalidade é seduzida pelo princípio que a ordena.

meAinda assim muitas mulheres insistem em rebater essa proposta, continuam alegando o que hoje está na moda: – O corpo é meu e por isso faço o que quero. Pois bem, se querem um exemplo claro sobre a natureza de tal equívoco temos além das palavras o derramamento de sangue: quem de nós pode ser autárquica a ponto de em relação a seu próprio corpo negar a menstruação que se esvai durante os doze meses do ano? Somos assim reféns e servas de uma força muito maior que joga nosso sangue chuveiro abaixo (ou acumula uma pasta entre o marrom e o vermelho no absorvente), e ela nos diz: – Você sequer tem liberdade para dominar aquilo que chama de “seu”Meu corpo não obedece minhas regras, caso contrário ele seria um transgressor declarando sua inevitável derrota – ainda que eu tomasse mil fármacos para evitar seja gravidez seja menstruação, me tornaria escrava de tais remédios que obrigatoriamente são uma adulteração de substâncias da natureza em conjunto de uma técnica que essa mesma natureza nos deu potencialidade para desenvolver.

Pode-se dizer que o meu corpo, minhas regras tem validade dentro da política-social, mas um movimento coerente não deve ter máximas desconexas, antes deve ter ligação lógica (e plausivelmente justificada) em todas as suas accepções possíveis. Posso dizer que meu corpo não segue a regra do homem-macho bem como sequer pode seguir a minha. Além do meu, ou melhor, do nosso domínio, meu corpo segue as regras que muito antes do homem lhe foram outorgadas.

Tags: , , , , , , , , , ,

Categoria: Biofilia, Biofilosofia, Cotidiano, Ética e Cidadania, Existência, Filosofia, Filosofia da Natureza, Filosofia Social e Política, Política, Saúde

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de Filosofia (Universidade Federal de Pernambuco - UFPE), tenho paixão pelo mundo. Busco conhecer a vida em seus mais íntimos aspectos: desde a origem do primeiro ser ao que está se desenvolvendo no imensurável circulo existencial. Prezo pela comunicação afetiva e verdadeira e, através de tais encantos, vivencio a Palavra em seus mais profundos aspectos, isto é, o conhecer e o comunicar.

Comentários (1)

Trackback URL | Feed RSS dos Comentários

  1. Bruno Barreto Cordeiro Silva disse:

    Não poderia ser mais sucinta! De fato as atuais correntes sociais, se enchem de “direitos” que na verdade podem ser traduzidos como “ignorância justificada”.Digo isso porque a maioria das pessoas só procuram o conhecimento natural, seja sobre física, química ou biologia ou qualquer outra ciência ou filosofia para poder justificar seus próprios interesses..Infelizmente isso vai além dos movimentos feministas, muitos erros são cometidos por uma “razão fraca”.Mas menos mal pois a sabedoria inerente a própria Natureza responde mais cedo ou mais tarde aos erros cometidos à ela..O saber virá então, quer escolham que venham pela dor ou pelo conhecimento..

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pular para a barra de ferramentas