Ciência admite inteligência nos vegetais

platJá em 1880 o naturalista Charles Darwin escreveu sobre as extremidades das raízes vegetais, alegando que elas “agem como o cérebro de animais inferiores”. Desde então, cientistas descobriram que as plantas também atuam por processos inteligíveis semelhantes à linguagem, memória, visão, audição, defesas e cognição.

No fim de 2013 a revista Ecology Letters mostrou como as plantas se comunicam por meio de compostos voláteis. “Viajando pelo ar, eles avisam outras árvores sobre a presença de herbívoros potencialmente perigosos — as folhas recebem a mensagem e tornam-se mais resistentes às pragas”, relatou a revista Veja na reportagem A inteligência das plantas revelada.

O biólogo Rick Karban, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, afirmou que “as plantas são capazes de comportamentos muitíssimo mais sofisticados do que imaginávamos. Elas passaram por uma seleção em que tiveram de lidar com os mesmos desafios que os animais e desenvolveram soluções que, às vezes, guardam semelhanças com as deles.”

Karban estuda pequenas artemísias há mais de uma década em um campo aberto na Califórnia. “Regularmente, suas folhas ganham pequenos cortes que imitam dentadas de insetos para que emitam os compostos orgânicos voláteis, conhecidos pela sigla VOC. O objetivo é entender o papel desses elementos perfumados na natureza, que parecem enviar mensagens muito precisas de uma planta para outra”, retratou a Veja.

No campo, Karban pôde perceber que esses compostos viajam a até 60 centímetros de distância e são percebidos por outros ramos da planta, por pés vizinhos da mesma espécie e, por vezes, por outras espécies que estão ao lado. “As plantas coordenam suas defesas e as de seus parentes, esse e outros trabalhos indicam que a comunicação entre os vegetais é um fenômeno real que ocorre na natureza”, afirma o pesquisador. Ele identifica ainda a capacidade das plantas em reconhecer os herbívoros que as . atacam até mesmo antes que eles cheguem.

Edward Farmer, biólogo pioneiro em pesquisas sobre comunicação vegetal da Universidade de Lausanne, na Suíça, foi além das mensagens voláteis para descobrir sinais elétricos emitidos pelas plantas para enviar informações entre uma célula e outra. “Esses sinais elétricos que viajam através dos tecidos resultam em diversas respostas, afetando a expressão dos genes ou ativando processos bioquímicos. Mostramos que alguns deles são importantes para comunicar ferimentos sofridos pelo vegetal”, afirma.

Por fim, Martin Heil, biólogo do Centro de Investigação e Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional do México, costuma dizer que “é preciso evitar a impressão de que os vegetais seriam mais valiosos se fossem mais similares a nós” e “é fascinante ver o quanto as plantas são muito mais ativas do que pensávamos e desenvolveram milhões de estratégias que as ajudam a sobreviver a condições ambientais complexas e incertas.”

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Categoria: Biofilia, Botânica

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de Filosofia (Universidade Federal de Pernambuco - UFPE), tenho paixão pelo mundo. Busco conhecer a vida em seus mais íntimos aspectos: desde a origem do primeiro ser ao que está se desenvolvendo no imensurável circulo existencial. Prezo pela comunicação afetiva e verdadeira e, através de tais encantos, vivencio a Palavra em seus mais profundos aspectos, isto é, o conhecer e o comunicar.

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