História: A Via Crucis da Humanidade

Quadro de Paul Klee

Angelus Novus de Paul Klee

O ser humano em seu tortuoso caminho busca uma teoria que acabe com o drama da história da humanidade. O encadeamento dos fatos mostra, por mais bela que seja uma ideia, a pratica de uma reprodução, embora em outros moldes, do sistema outrora derrubado.

O cérebro humano possui a peculiar característica de ver sentido em tudo que acontece, e com sua própria vida isso não é diferente. A História é vista como um processo teleológico, mas a dúvida consiste justamente em saber qual é o talos que dará sentido à existência humana. Enquanto a História não termina, a humanidade segue uma sequência de criação e destruição, sejam impérios, religiões ou ideologias. Diante disso, surgem ideias que anunciam a maneira de dar término ao processo dialético da História e a inauguração de uma era em que o sentido da nossa existência seja conhecido.

As ideologias que aparecem com o objetivo de criar um sistema sem contradições internas e consequentemente uma sociedade eterna são as mais quiméricas que existem, pois chamam a si mesmas de títulos como: Síntese das sínteses, Emancipação do Homem ou último estágio do gênero humano. Porém, a dialética impõe-se como um deus e afirma que a marcha da História não acabou, então outra teoria surge com o propósito de ser a salvação da humanidade e – como as anteriores – desaparecem sem proporcionar a emancipação.

Um sistema é hegemônico, mas como qualquer outro sistema, tem contradições imanentes que incitam a aparição de grupos com interesses opostos. Quando o antigo sistema é derrubado não há criação de algo novo, mas uma mescla entre duas forças antagônicas. Um exemplo é a religião cristã que quando se encontrava na marginalidade era duramente perseguida, aqueles que adoravam Jesus (e não aos deuses de Roma) eram jogados, entre outras formas cruéis de morte, aos leões. Todavia, quando o cristianismo tornou-se a religião oficial do Império e mais ainda com a queda de Roma, os cristãos passaram a empregar métodos de repressão mais sofisticados do que dos antigos opressores. O mesmo ocorreu depois da Revolução Francesa, no período conhecido como “Terror” ou em anos posteriores ao começo da Revolução Russa, em que muitos opositores ao regime eram mortos ou deportados para os gulags na Sibéria.

A humanidade parece com o quadro Angelus Novus de Paul Klee, pois tenta resistir ao movimento dialético da História e com toda a força frear os acontecimentos cujas ruínas não param de crescer, mas esta segue em direção ao futuro e não resta outra coisa senão fazer o mesmo para que seja encontrado o sentido de tudo, seja ele qual for.

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Categoria: História

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de História (UFPE), tenho um grande interesse em estudar a humanidade e suas diversas facetas. Sou um ser mutável e busco não a perfeição, mas ser melhor a cada dia.

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