O deserto do ser

| 30/07/2015 | 0 Comentários
Torna-te quem tu és;
Disse-me o eco de minha voz, enquanto eu gritava aos prantos dentro de uma caverna.
Fugi assustado.
.
Torna-te quem tu és;

Disse-me em todo ímpeto o vento assobiando forte ao pé de meus ouvidos
Enquanto eu andava sozinho pelos desertos africanos.
.
Torna-te quem tu és;
Disse-me a serpente rastejando atiçada em minha direção
Enquanto mesmo em frente ao medo permaneci a salvo.
Torna-te quem tu és;
Disse-me um gesto de acolhimento feito por um companheiro,
Também perdido em meio ao deserto.
.
Torna-te quem tu és;
Disse-me a sombra de minhas próprias dúvidas
Quando apenas havia fome, frio e sede.
.
Torna-te quem tu és;
Disse-me a imagem distorcida de um Oasis assemelhando-se a uma miragem
Muito embora a esperança ainda me desse forças para acreditar.
.
Torna-te quem tu és;
Assim soou aos meus ouvidos o barulho da fonte,
Jorrava água milagrosamente naquele local até então desconhecido.
.
Torna-te quem tu és;
Disse-me o gesto de meu companheiro
Que agora partia em nova jornada.
Segui também por outros caminhos,
Cheguei onde jamais esperara chegar.
.
Quando finalmente senti o fraquejo de meu peito
Lembrei-me do eco, do vento, da serpente,
De meu companheiro, e do belo Oasis.
.
Olhei por fim nas linhas tortas de minha mão
E pensei:
Aqui nunca haveria de chegar.
Aquilo que hoje sou de nada valeria
Se no reflexo de tudo não coubesse um pouco do que é este meu ser.
.
Almejando tornar-se enfim aquilo que se é,
Respirei…

Categoria: Poesias

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