Elogio à Plotino

Vislumbrado por entre a música das palavras proferidas pelos místicos,
É sábio o que se detenha na alegria da perfeição, aquele que se cala enquanto o Logos interior fala.
No ardor de sua alma tão branca e virtuosa, o grandioso alavancou-nos num êxtase profundo.
A Humanidade em mim clama por seu transe, paradoxalmente em nascimento do Eros e vergonha do corpo,
brota a flor amarela da alma do filósofo tão brando e lustroso, aos altos que veste-se de Plotino.

Surge as memórias d’um homem que em si para o Um outrora habitou e foi.
Transbordou no verdadeiro, encontrou-se com o que é o vivente, que é o homem?!
Em sua primazia mágica falou sobre virtudes, dialética, felicidade e sua extensão perante o tempo;
Contemplou o Belo mais sublime, o primeiro Bem e todos os outros bens fidedignos.
Acautelou sobre o suicídio: Ah! Exclamaria: Aqui não é tua hora! Tua alma partiria indesejada…
Fez de sua voz o indicador de onde vêm os males; falou sobre o mundo, o movimento e os astros.
Numa maré de beleza e arrepio inteiro, conexão; mostrou sentido de vida em potência e em ato.

Sua obra possuía a métrica em estética do cosmos. Assim proferia leveza à qualidade e a forma, a mistura total.
Argumentou àqueles que dizem que o demiurgo do mundo é mal e que o mundo é este mal.
Sobre o destino, a providência, o amor, a imparcialidade dos incorpóreos, a eternidade e o tempo.
Fez da natureza uma contemplação entre os viventes racionais e os ditos irracionais até à Unidade.

Sua dialética versou entre aquilo que é bom e sobre aquilo que provém no oco, a maldade!
Determinou quantas coisas se alinham sob o bem, quantas sob seu contrário.
Se interessou pelo que é eterno e também pelo que não o é.
Por meio de uma autociência, consciência, e não de uma simples opinião, tirou de si as impurezas da vaidade.
Sua dialética teve por princípios a evidência do intelecto, incidiu sobre o ser e o que está além do ser.
Sua dialética, mais que sofismas vãos, foi a arte do Logos.

Plotino, instigante e doce como as angiospermas de pétalas mais belas, era filósofo primordial.
Quando falava das sensações era impossível aos que o ouvia não sentir sua harmonia grandiosa;
Estremecer do corporal, os corpos dos ouvintes vibravam.
De sua memória memorou seu verbo, e sua imortalidade em alma junto à descida dessa nos corpos!
Mas e se todas as almas fossem somente uma?!
Sendo ou não sendo, Plotino suavemente mostrou o Intelecto, as Ideias e o Ser; os números, o Bem e o Um.

Serviu ao mundo em sentido sincero à pureza de suas palavras;
Com um ideal a cristandade o moldou como escultura barrosa.
Mas este sobreviveu intacto dentro d’um mar de águas tão cristalinas, e assim fez surgir das palavras uma explosão:
É acolhimento mesmo diante do corpo perecido, é de pensamento imortal!
Seu conhecimento percorre a distância infinita que nos separa do eterno.
De Um impossível de relatar exceto nos sentidos líricos, aqui o proclamo para conduzir-nos a ele.
E assim o platônico ganha espaço para encorajar sua visão, auxiliar o discurso:
Faz ser possível enxergar a luz para ver alguma coisa,
Ainda que esta não surja de predicado algum…
Em seu respeito olhai às margens do Logos; lá está ele sendo eternamente em si mesmo.

Numa passagem do tempo proclama os pitagóricos, Parmênides, Platão, quiçá Aristóteles; Amônio!
Outrora driblou o pensamento pelo próprio pensamento e foi além,
fez do Intelecto algo superior, dele vindo tudo o que aqui é restante; a alma, a razão e certa atividade do Intelecto.
Alma esta, tão obscura, foi somente reflexo do Intelecto; Intelecto, reflexo do Um.
E se o criar é contemplar ou, se se prefere, efeito do contemplar;
Aqui, diz Plotino, brincando, também contemplamos!
A poesia é brincadeira lirica e contempla n’uma valsa cósmica o retorno ao Uno;
Pois natureza, ação e práxis, vem a cá pelo discurso poético, fazem-se cerimonialmente produto da contemplação.
Todo fim alçando voo no contemplar.

Seu amor, como em Platão, nasceu do Eros deus, filho da Afrodite celeste; e filho também de Poros e Pênia,
Como Eros-daímon pôde sempre realizar a intermediação ente a Alma e sua mãe, a Matéria inteligível.
É interseção entre a realidade sensível e a do intelecto.
E, quando visto pela matéria, esta é mal não por ser má, mas por necessitar do bem já que não o possui.

Suponho lhe ter sido difícil ser homem, e participar dessa realidade-aí.
Quantas coisas se movendo para lá e para cá, consumindo nossa eternidade.
Homem sensível ainda que inserido no inteligível.
Quão duro foi-lhe e nos é habitar um corpo sujeito a corrupção do tempo, de seu tempo de semi-medievo em ascensão.
Pereceu em carne e nós sabemos que o relógio também nosso tronco devorará.
Procurando então abrir os braços da proteção da arché.
O sábio precisou purificar sua alma, como filósofo estava ligado com a transcendência mais humilde.
E a sensação lhe era unicamente mensageira do intelecto Rei.
Mas que ela está a nos dizer?!

O sábio disse encontrar em si mesmo aquilo que antes buscava nos outros:
Conhecendo a si
Por fim fez-se “Auto”;
E nós, que nos fazemos?!

Plotino,
Quando as palavras não mais lhe serviram como guia, a alma e o intelecto calaram-se,
Foi no mundo a presença silenciosa;
E Aquele que o viu sabe o que ele diz.

Tudo isso presente aqui, ainda que não como diz o filósofo,
Habita
somente porque há logos artístico.

Categoria: Filosofia, Filosofia Medieval, Poesias

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de Filosofia (Universidade Federal de Pernambuco - UFPE), tenho paixão pelo mundo. Busco conhecer a vida em seus mais íntimos aspectos: desde a origem do primeiro ser ao que está se desenvolvendo no imensurável circulo existencial. Prezo pela comunicação afetiva e verdadeira e, através de tais encantos, vivencio a Palavra em seus mais profundos aspectos, isto é, o conhecer e o comunicar.

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