Realidade declamada

Num retrato falado quando a dor vira arte – a realidade é o único crime.
Às únicas margens da perfeição – no quadro ou no verso a forma ganha estrutura.
Enquanto o mundo é injustiça indiferente e concreta,
A poética grita com força e faz o vento arder em chamas.
Lá o sabor do beijo gelado ganha a doçura duma frieza que é própria ao individuo.
A psicologia e as doutrinas políticas aplaudem de camarote.
A paixão veste-se de amor para musicar o teatro, a humanidade se veste de alma e primazia.

Nas músicas de cordas e clarinetes – o som se faz escultura palpável;
É onda que acende o coração e toca profundamente os nervos fazendo-se Polímnia.
Na bodega o couvert artístico transforma uva em safra portuguesa.
Por entre ocarinas e flautas madeireiras a floresta viaja à cidade.
Tudo é tão profundo que o sentimento de primavera passa por oito estações humanoides.
Os instrumentos sofisticados simulam o som dos pássaros
E os homens cessam a ouvir o canibalismo sexual do louva-a-deus a cantar Mozart.

Contemplando o rabisco do giz de cera, o toque das citaras e o verso do papel,
Louvando a proeza e genialidade de cada gozo de arte lúdica,
Por entre o êxtase e a dor Os artistas estão a parir a Humanidade.

Categoria: Poesias

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de Filosofia (Universidade Federal de Pernambuco - UFPE), tenho paixão pelo mundo. Busco conhecer a vida em seus mais íntimos aspectos: desde a origem do primeiro ser ao que está se desenvolvendo no imensurável circulo existencial. Prezo pela comunicação afetiva e verdadeira e, através de tais encantos, vivencio a Palavra em seus mais profundos aspectos, isto é, o conhecer e o comunicar.

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