A felicidade no Livre Arbítrio Agostiniano

agostinho

Portrait by Philippe de Champaigne, 17th century

A Vida Feliz (386 d.C.) é evidentemente a obra de Santo Agostinho mais conhecida acerca da felicidade. Todavia o filósofo de Hipona está sempre retomando o conteúdo nela expresso por pensar ser o caminho para a virtude, impreterivelmente presente na vida cristã, também a passagem para a felicidade.

Felicitar-se é uma determinação da boa vontade, sendo essa principiada pelo Livre Arbítrio (395 d.C.). É a vontade que pode trazer ao homem uma vida louvável e feliz bem como o seu contrário, isto é, a vergonha e a infelicidade. Todo aquele que viver conforme a retidão, pondo essa acima de todos os bens passageiros da vida, realiza conquista tão grande, com tanta facilidade que, para ele, o querer e o possuir a felicidade serão um só o mesmo ato. Essa alegria eleva a alma na tranquilidade, na calma e constância, constitui a vida que é dita feliz, pois ela é o gozo dos bens verdadeiros e seguros (Sto. Agostinho, 395, 28).

Mas todos os homens desejam viver a vida feliz, não há um homem sequer que não a queira e deseje. O motivo pelo qual nem todos eles a obtêm é porque é voluntariamente que os homens a merece. E acontece que voluntariamente também chegam a uma vida de infortúnios. E assim, recebem o que merecem. O que explica que os homens sofram voluntariamente uma vida infeliz, ainda que de modo algum alguém queira viver no infortúnio, é que uma coisa é querer viver bem ou mal e outra coisa muito distinta é merecer o resultado por uma boa ou má vontade. Aqueles que são felizes não se tornaram tais só por terem querido viver vida feliz. Mas sim, porque os justos o quiseram com retitude, o que os maus não quiseram. A lei eterna decretou que o merecimento está na vontade. Assim, a recompensa ou o castigo serão a beatitude ou a desventura (Idem, 30).

Dessa maneira não há na filosofia Agostiniana nada contraditório em dizer que todos querem ser felizes sem poder sê-lo – pois nem todos querem viver com retidão, e é só com essa boa vontade que os indivíduos têm o direito à vida feliz. Aquele que ama viver retamente tem certamente prazer nisso, de tal modo que encontra não apenas o bem verdadeiro, mas ainda real doçura e alegria. Essa pessoa, enfim, aprecia sobre todas as coisas a lei eterna em virtude da qual a vida feliz é atribuída à boa vontade (Idem, 31).

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Categoria: Cristianismo, Filosofia, Filosofia da Religião, Filosofia Medieval

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de Filosofia (Universidade Federal de Pernambuco - UFPE), tenho paixão pelo mundo. Busco conhecer a vida em seus mais íntimos aspectos: desde a origem do primeiro ser ao que está se desenvolvendo no imensurável circulo existencial. Prezo pela comunicação afetiva e verdadeira e, através de tais encantos, vivencio a Palavra em seus mais profundos aspectos, isto é, o conhecer e o comunicar.

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