A maior inimiga da sabedoria

filosofiaEntendo, embora não concorde com o porquê de, no geral, filósofos e estudantes de filosofia serem direcionados a um local sem relevância e por vezes rebaixados a algo que não se deve Elevar a sério, entendo porque em certo sentido aquele que se dedica à atividade filosófica se assemelha a uma criança em constante admiração e descoberta do fenômeno, em função de descobrir a causa e o efeito das coisas serem como são.

Minha razão para não concordar com isso é simples: acredito que essa semelhança com as crianças seja fundamental para o progresso da espécie humana, e que talvez seja nisso que a ciência moderna venha se perdendo, no mergulhar por verdades irrefutáveis crendo assim que a ciência tem acesso direto à realidade e o que se extrai de experimentos científicos é o que se é. No entanto a Ontologia, por vezes colocada como inútil, vem com o papel de perguntar o que é o que se é e com isto reelaborar conceitos sobre aquilo que se parecia ser.

Eu particularmente não faço uma grande distinção entre filosofia e ciência, mas o fato é que a filosofia caminhou junto com esta ao ponto de ambas por tempos terem sido colocadas como uma coisa só; posteriormente as ciências foram se especificando e assim ganhando um status “independentes da filosofia”. Talvez elas de fato tenham se tornado insubordinadas à filosofia – um matemático não precisa ser filósofo para ser matemático, um químico não precisa ser filósofo para ser um químico – entretanto o raciocínio filosófico ao qual detenta uma sede por problemáticas é necessário para o progresso de toda e qualquer forma de conhecimento.

Não é incomum a todos nós que estudamos filosofia ouvir afirmações sobre a inutilidade do conhecimento filosófico para a ciência. Ao meu ver, é importante a todos aqueles que se dedicam à filosofia – sejam eles filósofos, historiadores da filosofia ou admiradores da atividade teorética – que não caiam na hierarquia terrível de colocar a filosofia em um patamar de divindade em relação às outras formas do saber e que, principalmente, as outras formas do saber não caiam em um dogmatismo onde a ciência tem um acesso à realidade sem precisar da filosofia para investigar sobre sua própria forma de conhecer.

Com isto e por isto, a arrogância me parece ser a maior inimiga da sabedoria.

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Categoria: Epistemologia, Filosofia, Filosofia da Ciência

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco, fascinada por boa parte da produção de conhecimento humano, com ênfase na atividade filosófica em uma gama um tanto quanto variada de assuntos.

Comentários (2)

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  1. “…aquele que se dedica à atividade filosófica se assemelha a uma criança em constante admiração e descoberta do fenômeno, em função de descobrir a causa e o efeito das coisas serem como são.”

    De fato não me parece que tenha outra alternativa senão a filosofia e ciência andarem junto ainda hoje.

    “…o raciocínio filosófico ao qual detenta uma sede por problemáticas é necessário para o progresso de toda e qualquer forma de conhecimento.”

    Muito bom o texto!

  2. Essa semelhança com as crianças envolve certa pureza, especialmente por buscar a forma pura das coisas.

    Dizendo estar a criança para a filosofia e o “adulto” para a ciência, pergunto: quem melhor reformula as leis, dogmas e visões “ultrapassadas” dos grandes senão a criança?

    E lembremos que todo adulto foi criança um dia

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