EUA x Rússia: A ONU como solução dos conflitos

EUA Vs. Rússia

EUA Vs. Rússia

Os EUA e a Rússia constituem as duas maiores potências militares do mundo e a China discretamente desponta como uma terceira potência, porém o planeta está cada dia menor para a fome de áreas de influência e de mercado destas três nações. A existência de armas nucleares representa um perigo para a humanidade, pois as ogivas podem cair nas mãos de um governante suicida. O melhor para o mundo é o fim das armas atômicas e o fortalecimento da ONU na intermediação de guerras.

Durante a Guerra Fria o que imperou foi o princípio da Destruição mútua assegurada (Mutual Assured Destruction-MAD) que nada mais era de que nenhum país com armas nucleares começaria uma guerra com outra potência atômica, pois o resultado seria a mútua destruição sem um vencedor. Como não poderia haver um confronto direto entre as duas grandes potências da época, tanto os EUA quanto a URSS passaram a financiar grupos ao redor do mundo. Por isso os movimentos de descolonização da África e Ásia assumiram um papel ideológico, pois uma colônia a menos no mundo seria mais um aliado para o bloco capitalista ou socialista. Com a corrida armamentista e como maneira de se protegerem foram criados o Pacto de Varsóvia (aliança militar dos países socialistas) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte-OTAN (países capitalistas). Em 1991 a URSS deixa de existir, então nada mais lógico do que as alianças próprias da Guerra Fria também se extingam. O Pacto de Varsóvia desapareceu, mas não a OTAN o que mostra a vontade dos EUA de agirem como polícia do mundo.

Com o fim da Guerra Fria era de se esperar que a OTAN desaparecesse como ocorreu com o Pacto da Varsóvia, porém o que houve foi uma ampliação da atuação da Aliança Atlântica nos principais conflitos do início do século XXI. A OTAN passa por uma reorganização para se adaptar ao novo cenário geopolítico, sendo a “Guerra ao Terror” um dos principais conflitos em que os Estados Unidos e seus aliados atuam, entretanto a UE diverge do Pentágono quanto à abordagem da questão do terrorismo no mundo. A União Europeia tenta combater as ameaças terroristas através da cooperação com as Nações Unidas e tratar as raízes dos atentados como pobreza, governos fracos e extremismo religioso. Já os Estados Unidos preferem medidas unilaterais e ataques preventivos, o que evidencia que os governos europeus não têm muito entusiasmo em ampliar os gastos militares ao contrário do Pentágono. A OTAN é um aparelho de segurança dos interesses das principais potências ocidentais (exceto a Rússia), vide a sua participação na Guerra do Iraque que se iniciou com o pretexto de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa ou a intervenção que fez na Líbia e na Síria. Todavia, as atuações da OTAN que mais colocam em risco a segurança mundial são a tentativa de aumentar a esfera de influência na Europa Oriental e no Cáucaso, regiões estas de interesse russo.

O fim da Guerra Fria fez a aliança atlântica acreditar que a Rússia não representa mais um perigo, então surgiu a Parceria para a Paz que era para criar confiança entre a Europa e a União Soviética. A relação entre a aliança atlântica e os russos aumentou com os atentados de 11/09 em que a Rússia atacou os grupos separatistas da Chechênia com o argumento de que eram terroristas, assim o governo russo legitimou sua ação bélica no Cáucaso sem interferência externa. Porém em 2008 a comunidade internacional ficou contra as ingerências russas no Cáucaso, pois a Geórgia invadiu a Ossétia do Sul (região separatista daquele país) e a Rússia enviou militares para socorrer o aliado. Outro fator que levou a UE a intervir no conflito foi o fato da Geórgia sinalizar adesão à OTAN e se a Ossétia se tornar-se independente não tardaria para a Geórgia ser englobada pela Rússia ou virar um estado fantoche do mesmo. A Ucrânia também é alvo dos interesses antagônicos da OTAN e da Rússia, esta deseja com que os países membros do Tratado do Norte fiquem o mais longe da sua fronteira, entretanto os Estados Unidos esperam com que toda a Europa Oriental entre para a organização atlântica com o intuito de cercar a Rússia.

A questão ucraniana há muito está minando a relação entre Rússia e os membros da Organização do Norte, enquanto que a China assiste o desenrolar da crise. O estopim da crise ucraniana foi a atitude do presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych, de não assinar um acordo de livre comércio com a UE e ao invés disso se aproximar mais da Rússia. Isto dividiu o país no meio, pois a parte oeste apoia uma maior aproximação com a União Europeia enquanto que a parte leste deseja o mesmo com a Federação Russa. Segundo o governo ucraniano o acordo não foi assinado, pois Putin ameaçou cortar o fornecimento de gás algo que já havia acontecido em 2006 e 2007 quando a estatal russa Gazprom cortou o envio de gás natural para a Ucrânia. A divisão do país se agravou com tensões separatistas na Crimeia acentuadas pela deposição do presidente ucraniano feita por nacionalistas e partidários da extrema direita, então com um vácuo de poder partidários pró-Rússia tomaram o poder na região e proclamaram independência da Ucrânia e uma futura união com a Rússia. Esta enviou tropas para a península, apesar de dizer que se tratava de ucranianos contrários ao governo interino de Kiev. Depois a população da região elegeu um premiê pró-Rússia chamado Sergei Aksyonov que não é reconhecido por Kiev, o que foi uma boa notícia para Putin devido ao fato de que é na Crimeia mais precisamente no porto da cidade de  Sebastopol em que está localizado a maior base naval russa no Mar Negro, portanto é uma área de grande interesse do Kremlin. Em 17 de julho de 2014 a crise se agrava com a destruição de um avião da Malaysia Airlines provocada por um foguete que resultou na morte de 298 pessoas. Logo após a tragédia o novo presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, acusou os rebeldes aliados da Rússia pelo ato terrorista e o Kremlin fez o mesmo em relação à Ucrânia e este incidente quase levou a OTAN a intervir. Toda esta questão ucraniana faz parte de um plano maior dos Estados Unidos para usar a Europa como ponta de lança contra a Rússia.

A crise na Ucrânia levou a União Europeia e os Estados Unidos a imporem duras sanções contra a Rússia como forma de estrangular sua economia e obrigá-la a se retirar dos assuntos ucranianos, e tais medidas estão surtindo efeito. As sanções econômicas contra a Rússia provocaram a fuga de investidores e uma consequente desvalorização de 50% do rublo frente ao dólar o que ocasionou um aumento nos preços e alta da inflação. Outro fator que prejudicou a economia russa foi uma decisão unilateral da Arábia Saudita de que teve como consequência uma queda abrupta dos preços internacionais do petróleo. Riad decidiu aumentar a exploração dos poços petrolíferos provocando uma queda nos preços, uma das explicações para isso é diminuir o consumo mundial de gás de xisto, cujo consumo cresceu nos EUA. Assim quando a compra de petróleo aumentar o governo saudita volta a subir o preço dos barris, porém a outra forma de ver esta queda é que se trata de uma medida que atende aos interesses do principal aliado da Arábia Saudita: Os Estados Unidos. Os principais prejudicados pela queda do petróleo foram países hostis aos interesses norte-americanos como Venezuela, Rússia e o Irã. A Rússia busca alternativas econômicas como comerciar mais com os países membros dos BRICS principalmente a China, enquanto que os Estados Unidos tentam minar o governo centralizado russo. Os BRICS aparecem como uma alternativa aos instrumentos dominados pelos Estados Unidos como FMI e o Banco Mundial. Washington tenta derrubar Putin no campo da macroeconomia para que um governo mais submisso seja colocado no Kremlin através de uma revolta popular insatisfeita com a inflação, por isso o Pentágono usa a OTAN e a UE como ponta de lança para atacar a Rússia ameaçando a paz e segurança mundial. Por causa disto Putin aumentou as transações comerciais e cooperações militares com a China e esta aumentou a fatia no orçamento militar para 12,2% e cresce a uma taxa de 7% a 8% ao ano. A principal parceira da Rússia tem fome de mercado e de recursos naturais, a África já foi “conquistada” pelos chineses e agora eles se direcionam para a América Latina.

Três grandes potências disputam o controle mundial com o risco pequeno, mas sempre presente de uma guerra global, apesar desta ser praticamente suicida. Os EUA não querem perder o status de potência hegemônica e usam a OTAN como forma de intimidar a Rússia, enquanto isto a China desponta como maior economia do mundo. A paz nuclear só é possível por todos saberem o que pode acontecer se uma ogiva for detonada, isto serve como uma imunização contra qualquer desvario que um governante possa ter, porém esta vacina é inócua em certos líderes. A ONU deveria ter um conselho de segurança mais independente e mais forte para dissuadir qualquer esboço de conflito entre as grandes potências, pois a humanidade deve ser colocada acima dos interesses de qualquer nação.

O que se vê é que o Pentágono de tempos em tempos inicia uma guerra em nome da liberdade e da democracia seja contra nazistas, comunistas ou extremistas islâmicos causando uma raiva pelo fato dos EUA quererem policiar o mundo e assim aumentando o perigo de um conflito global. Uma Terceira Guerra Mundial não é algo tão improvável como certas pessoas pensam, basta ver que em 1914 uma guerra total era algo impensável e mesmo assim aconteceu. Enquanto existir armas atômicas um holocausto nuclear será uma ameaça real e a vontade dos Estados Unidos em fazer guerra só me leva a crer que o governo estadunidense deveria trocar a águia do Grande Selo por uma Fênix.

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Categoria: História

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de História (UFPE), tenho um grande interesse em estudar a humanidade e suas diversas facetas. Sou um ser mutável e busco não a perfeição, mas ser melhor a cada dia.

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