Historicidade da Mecânica Celeste

meO verdadeiro objetivo da Mecânica Celeste não é o cálculo das efemérides… mas reconhecer se a Lei de Newton é suficiente para explicar todos os fenômenos.

D. Boccaletti, G. Pucacco, Theory of Orbits, vol. I, Springer, (1996).

Desde os primórdios a humanidade tem interesse em conhecer os fenômenos celestes. A Astronomia destaca-se como uma das ciências mais antigas; isso porque o homem se coloca não como um ser separado do universo, mas encontra-se nele de tal forma que pode ser concebido como produto dele, alguns chegam até a considerar hipóteses de que todo movimento está atuando em conjunto, e qualquer movimento dos astros muda também toda a estrutura humana. A astronomia deriva-se em vários rumos, um deles, a Mecânica Celeste, fundamentada a partir do século XVII, estuda o todo do movimento dos corpos celestes, sejam eles naturais ou humanamente modificados como é o caso dos chamados satélites artificias, tendo como principal força a gravitação, uma das quatro forças da natureza em conjunto com as forças fraca e forte e ao electromagnetismo.

A antiguidade clássica, a citar os Babilônicos, Egípcios e Gregos, costumava confeccionar tabelas do movimento diário dos corpos celestes, um grande estímulo para o desenvolvimento da Astronomia dado que como resultado descobriu-se padrões de regularidade nos complexos movimentos dos astros a ponto de ser possível prever eventos naturais como os eclipses e compreender os equinócios. Esse conhecimento chegou ao ápice, pois, com o desenvolvimento do Almagesto do grego Claudius Ptolomeu (+/- 100 d.C.), método dos epiciclos no qual o movimento dos planetas, tendo a Terra como centro, é descrito através da composição de movimento circulares uniformes.

Somente na modernidade, mais exatamente no século XVII, a Mecânica Celeste se desenvolve. Newton, através da herança teórica de Copérnico, Kepler, Brahe, Descartes e Galileu, estuda a sistemática dinâmica dos corpos massivos sob a ação de forças de atração gravitacional para entender o movimento desses corpos. O físico formula então leis de movimento e as postula como válidas tanto para corpos movendo-se num laboratório quanto no Universo. O nascimento da Mecânica Celeste tece por principais admiradores o próprio Newton, Leibniz, Halley, Euler, Clairaut, D’Alembert, Delaunay, Lambert, Cauchy, Lagrange, Laplace, Liouville, Legendre, Clairaut, Poisson, Gauss, Jacobi, Weierstrass, Dirichlet, Hamilton, Hermite, Poincare, Painleve, Birkhoff, Lyapunov, Gylden, Chazy, Tisserand, Hill e Sundman; no campo matemático esta influenciou o desenvolvimento do Cálculo e Análise, Equações Diferenciais Ordinárias e Parciais, Álgebra Linear, Cálculo Variacional, Vaiáveis Complexas, Mecânica Analítica e Hamiltoniana, Análise Numérica, Estatística e Probabilidade, Equações Diferenciais Ordinárias, Sistemas Dinâmico, Topologia e Teoria dos Números.

Mas a partir da segunda metade do século XIX a Mecânica Celeste foi sendo negligenciada pelos físicos, ainda mais no século XX com o surgimento da Teoria da Relatividade e da Mecânica Quântica. Ainda assim, ela continuou a ser cultivada por vários astrônomos e matemáticos.

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Categoria: Ciências dos Números, Matemática

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de Filosofia (Universidade Federal de Pernambuco - UFPE), tenho paixão pelo mundo. Busco conhecer a vida em seus mais íntimos aspectos: desde a origem do primeiro ser ao que está se desenvolvendo no imensurável circulo existencial. Prezo pela comunicação afetiva e verdadeira e, através de tais encantos, vivencio a Palavra em seus mais profundos aspectos, isto é, o conhecer e o comunicar.

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