Mosca Morta

| 18/09/2015 | 1 Comentário

Prestes a morrer,
desfaleceu.

Viveu a vida correndo,
correu a vida voando.

Talvez, um belo dia, bateu-lhe o desespero
num momento tosco, tosco como ela própria
entre um ou outro bater de asas.

Nessa hora, parou no ar
tendo depois caído no chão
(pois não podia simplesmente parar no ar)
esse era seu dever moral: voar sempre.

Estatelada, só pensava naquilo que a fez parar
pois no meio de sua curta e apressada vida
um pensamento carcerário lhe prendeu a cabeça.

“Serei eu útil a alguém, ou só vivo
pra alimentar esse alguém?”

Na mesma hora parou
pois o ser, ao encarar uma verdade metafísica
sobre si mesmo,
cessa o movimento
congela
e aguarda a morte.

Categoria: Artes e Letras, Poesias

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de jornalismo da Unesp - Bauru. "A filosofia serve pra entristecer"

Comentários (1)

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  1. É a morte uma verdade?
    A única verdade?
    A verdade das verdades?
    Ou é a morte uma quimera?

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