Vegetarianismo e shechitá judaico

vaca

É importante denotar antes de tudo que existem vários tipos de vegetarianismo. Um deles, embora atente que naturalmente os animais se alimentam uns dos outros, considera o homem como ser dotado de razão e discernimento, apto a comer plantas no lugar de animais porque a planta, mesmo se sentisse dor, sentiria em grau muito inferior ao animal. Assim os homens devem evitar ao máximo provocar sofrimento aos animais principalmente quando esse for propagado em cruéis matadouros.

Todavia não só os vegetarianos se preocupam com o bem estar das outras espécies. Pode-se prontamente destacar aqui o povo judeu e seu shechitáritual judaico de abate às aves, carneiros e vacas. Nessa prática, os judeus comem carne de modo saudável tanto para o homem quanto para o animal. O abate da shechitá, realizado por uma faca especial, corta as artérias carótidas e interrompe sem dor e imediatamente o suprimento sanguíneo do cérebro animal. Segundo ordena a Torá, um judeu tem dever de evitar a crueldade desumana aos animais, por isso só pode comer carne seguindo a shechitá.

No judaísmo o alimento é considerado algo sagrado. Na antiguidade hebraica a carne só podia ser consumida através de um sacrifício realizado no Santuário – atualmente isso também ocorre no schechitá. Além disso um judeu só pode comer os animais casher, ou seja, saudáveis e adequados. Se um deles for treif, isto é, rasgado e despedaçado, não pode ser comido. Isso porque a religião judaica concebe que todo o alimento, especialmente as plantas e os animais, tem em si uma força vital espiritual. Alimentar-se do casher é proporcionar ao divino uma boa energia e ajudar a aperfeiçoar o universo, por isso o shechitá é um dos benefícios máximos de toda a humanidade.

Outrossim há também judeus vegetarianos. Esses criticam principalmente o abate. A Cabalá acredita que algumas almas podem reencarnar em níveis inferiores, incluindo aqui os animais. Assim pode ocorrer, ao se comer um animal cuja vida fora outrora humana, de um homem ajudar outro a elevar-se de volta ao estado de humanidade. Conta a religião judaica que somente na geração de Noé os homens deixaram o vegetarianismo, pois nessa época as almas humanas, já não mais em pureza, começaram a reencarnar em níveis inferiores. Como a humanidade caminha para sua correção e consequentemente para a cessação da reencarnação em animais, a Cabalá tem por tendência o retorno ao vegetarianismo.

De um modo ou de outro dentro do judaísmo, comendo ou não comendo carne, busca-se a saúde para homens e animais, ambos em harmonia com o todo. Em seu fim, o ideal cabalístico é ser vegetariano durante a semana e, somente no Shabat ou nas festas, comer carne.

Tags: , , , , , , , , ,

Categoria: Biofilia, Cotidiano, Ecologia, Espiritualidade, Ética e Cidadania, Judaísmo

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de Filosofia (Universidade Federal de Pernambuco - UFPE), tenho paixão pelo mundo. Busco conhecer a vida em seus mais íntimos aspectos: desde a origem do primeiro ser ao que está se desenvolvendo no imensurável circulo existencial. Prezo pela comunicação afetiva e verdadeira e, através de tais encantos, vivencio a Palavra em seus mais profundos aspectos, isto é, o conhecer e o comunicar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pular para a barra de ferramentas