Uma analise psicofilosófica sobre a discriminação inadequada

| 09/09/2015 | 0 Comentários

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Machismo, homofobia, racismo, opressão e tantas formas de discriminação parecem-me nascer do mesmo lugar: de fatos sociais que discriminam inadequadamente o ser humano. Quando eu digo discriminação, é qualquer tipo de atribuição que sirva para diferenciar socialmente um ser humano de outro, e inadequada se refere ao fato de que esta discriminação não reflete a realidade. Vamos fazer uma análise para descobrir o porquê de este comportamento existir, e qual a melhor forma de lidar com ele.

Para começar essa análise, é preciso primeiro constatar algo muito importante: seres humanos são diferentes, únicos. Sabendo disso, como justificar um processo social de discriminação inadequada? Quem nunca teve a experiência de assumir uma posição e defender com unhas e dentes todos aqueles que eram semelhantes a si? Isto é uma forma de garantir a sobrevivência em grupo, e assim dar-lhe uma identidade, uma característica a lhe diferenciar dos demais. Estas características podem ser naturais ou artificiais, mas uma vez que existam, abrem margem para a discriminação inadequada. Precisamos então assumir que seres humanos, mesmo sendo diferentes, passam a se comportar em grupo quando encontram semelhantes, processo esse inerente e instintivo. As diferentes identificações são resultado de processos históricos, já que a própria estrutura social exigia que pessoas diferentes fossem tratadas de diferentes formas. Quem ficaria com o trabalho intelectual e o braçal, o doméstico e o externo?

Uma vez que esses grupos são formados, sempre há os que têm menos vantagens em relação aos outros. É mais fácil substituir um trabalhador braçal a um intelectual, por exemplo. Surge assim uma espécie de hierarquia de importância entre os grupos, e como eles são acontecimentos sociais, a sociedade toda reage a isso. Daí surge a discriminação inadequada; as determinadas pessoas, embora atuem para o funcionamento de um órgão semelhante, são mais valorizadas ou desvalorizadas sendo tratadas de forma diferente. Isso pode gerar um sentimento de extrema injustiça, razão para a reavaliação de todos. Afinal, mesmo havendo grupos, eles compartilham o mesmo ambiente, trabalham para uma mesma sociedade e podem interferir um na vida do outro.

Quanto mais selvagem e desumanizada for a sociedade, mais evidente será isto. A própria discriminação é na verdade uma desumanização. E como resolver essa situação? Ora, humanizando as pessoas. Mas isto não é algo fácil, uma efetiva educação deve ser construída e transmitida através das gerações. O ser humano é um ser que evoluí, mas para fazer isso é necessário conectar as pessoas da melhor forma possível. Vejamos um exemplo:

Imaginemos alguém que está no poder, mas tem seu poder ameaçado por uma pessoa que vem de um processo social inferior ao seu. Em algumas vezes a primeira reação dessa pessoa é discriminar, e isso acontece porque essa parece ser a maneira mais fácil de resolver a situação. Contudo, não é a melhor. Se a pessoa for expulsa daquele convívio sem ser convencida de que, de fato, ela não é adequada àquele lugar, uma semente de raiva será plantada, e essa raiva irá crescer, gerar frutos, e um desses frutos pode ser forte o suficiente pra ferir aquele grupo economicamente superior. Afinal, evolução prevê mutação e dela não sabemos o que esperar. Vide o exemplo de filhos de classe média/alta sendo mortos por assaltantes adolescentes e pobres. A classe média vive um sentimento de insegurança plantado por seus antepassados e não fazem a menor ideia de que são responsáveis pela reprodução disto.o.

É possível demonstrar que o principal sentimento que alimenta a discriminação é a preguiça. Vejamos o caso desta mesma pessoa a discriminar aquele economicamente mais carente acusando-o de não ser capaz de exercer determinado cargo sem levar em consideração os seus feitos sendo exposta a uma competição com uma pessoa de igual ou maior poder que ela. Ela não poderá usar o argumento preguiçoso da discriminação, porque ele simplesmente não cabe e não será levado em consideração por seus semelhantes e nem competidores. Ela, portanto, terá de sair de sua zona de conforto e mostrar que merece (ou não) aquela posição através de suas habilidades desenvolvidas ao longo da vida. Ela terá que “evoluir”, e não ficar apenas deitada naquilo que recebeu por herança. Talvez possa até sentir um pouco do gosto da derrota, mas ser humano é isso: vencer às vezes, perder noutras vezes, mas continuar evoluindo. E isso as pessoas precisam aprender para dar valor ao esforço e viver dos outros e também de si.

Pode sim existir um outro motivo para a discriminação inadequada: numa sociedade selvagem, quem perder tempo mostrando ao outro sua posição provavelmente perderá em competitividade. Uma sociedade em que a maioria de seus indivíduos respeitam os direitos humanos, por exemplo, não permitiria a escravidão, e por consequência este recurso não seria uma ferramenta competitiva para os donos de empresa. Contudo, se a escravidão fosse permitida, aquele que não a usasse simplesmente estaria em desvantagem, e por precisar sobreviver, ele teria que aderir a ela ou encontrar uma solução realmente muito inovadora pra não precisar usar este recurso e ao mesmo tempo ser tão competitivo quanto aos que usam. Vejamos aqui que a discriminação inadequada não é algo tão simples de ser resolvido, e que um discurso preguiçoso movido por ódio contra aqueles que a praticam em nada surgirá efeito. Afinal, mesmo que as pessoas achem escravidão errado, se elas continuarem a comprar produtos vindo de escravos e não lutarem para transformar isto em criminalidade, os donos de empresa continuaram a recorrer a isto. O mesmo se aplica as outras classes de discriminação inadequada, como homofobia e machismo.

Para aqueles que estão em posição de discriminação, uma conclusão: sejam fortes, não se abatam. Lembrem-se do que realmente é importante, sua família, suas habilidades, aquilo que preenche seu vazio. O argumento de discriminação inadequada só é aceito quando todos os envolvidos estão com preguiça demais para, de fato, mostrar que aquele que deseja algo não é capaz não por sua origem, mas sim qualquer outro motivo, sendo escolha dele lutar pra contornar esse motivo ou buscar outra área para continuar sua evolução. Já a conclusão que vai para aqueles que costumam descriminalizar é a seguinte: vocês estão perdendo uma ótima chance de aprender sobre o que é ser humano, o que é evoluir, e não reclamem quando algo de ruim acontecer e vocês não entenderem o porquê, afinal, em sua própria família há seres humanos e entender sobre isto é sempre bom. Obviamente, não preciso ver beleza naquilo que não gostam, mas não se pode deixar sentimentos pessoais interferir em processos sociais. Lembrem-se que para algum ser humano discriminador, vocês também são inferiores de alguma forma; discriminação gera discriminação.

Aprender a amar aos outros – seja lá a posição social destes – faz parte do processo de aprender a amar a si mesmo.

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Categoria: Cotidiano, Ética e Cidadania

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de engenharia da computação, sou completamente apaixonado por qualquer tipo de conhecimento, sendo este o principal motivo que me traz com muito orgulho ao Filovida. Desenvolvo a Psicologia Evolutiva, uma abordagem filosófica ainda em estágio embrionário. Costumo usar esta abordagem nos textos que pretendo produzir aqui, para o Filovida. Não estou aqui como acadêmico, mas sim como contemplador da vida, e tudo o aqui for escrito por mim deverá ser usado apenas como uma forma de contribuir com os pensamentos.

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