A língua das musas

Tua música é meu resguardo dos medos.
Impecável, é a sonância e o timbre da vida.
Se eu pudesse ouvi-la entre o espaço e a onda,
Cortejaria o tocar no seguir dos teus dedos.

Acompanho-os, mas o espetáculo me invade.
Não me foi ministrada a língua das musas
Nem a valsa do tempo e da intensidade.

A medida que o timbre me adentra com altura e duração,
Encontro-me incapaz de ouvir a música etérea e presente.
Ela toca, decerto toca, mas não alcança minha audição.
Meus ouvidos cegam-se diante da sonoridade subjacente;
Eis o som moco dos que os ouvem aquém da retidão.

Onde estão os rumores cujos ouvidos xucros falseiam?
Procuro-os, mas em vão desapercebo a música das músicas,
Escuto só o vácuo das minhas próprias afecções diante dela.

Oxalá teu ser coubesse em minha acepção!
Dessarte eu não pediria vênia pela inépcia
Enquanto sou incapaz de ouvir a tua canção.

Se eu soubesse sentir os sons ao mínimo e ao máximo,
Segui-los como fazem os matemáticos ao somar
De um em um eu não seria somente um vão auditório
Mas em minha espessura te daria um palco para dançar.

Categoria: Artes e Letras, Poesias

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de Filosofia (Universidade Federal de Pernambuco - UFPE), tenho paixão pelo mundo. Busco conhecer a vida em seus mais íntimos aspectos: desde a origem do primeiro ser ao que está se desenvolvendo no imensurável circulo existencial. Prezo pela comunicação afetiva e verdadeira e, através de tais encantos, vivencio a Palavra em seus mais profundos aspectos, isto é, o conhecer e o comunicar.

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