Breviário de Aristóteles: Livro Γ da Metafísica

O Livro Γ da Metafísica de Aristóteles é organizado em oito partes das quais este escrito tem por objetivo resumir e entender as suas três primeiras, são elas: A Definição da metafisica como ciência do ser enquanto ser, Os significados do ser, as relações entre o uno e o ser e as várias noções que entram no âmbito da ciência do ser e À ciência do ser compete também o estudo dos axiomas e em primeiro lugar do princípio de não-contradição.

Ora, conforme seu próprio título sugere, o Capítulo I tem como fim apontar que existe sim “uma ciência que considera o ser enquanto ser e as propriedades que lhe competem enquanto tal”[1] – decerto essa ciência não se identifica com nenhuma das matérias particulares que consideram ora uma ora outra parte do saber universal pelo qual se busca a causa e o princípio supremo de uma realidade que é por si, quer dizer, não a realidade do ser acidental, mas antes a do ser enquanto ser – e eis a partir deste ponto que a Metafísica se situa.

Adiante, no Capítulo II, Aristóteles “enfrenta o próprio conceito de ser, assim como o conceito de um (estritamente ligado ao de ser) e os principais conceitos derivados do um”[2]. Está lá a sua mui conhecida citação: “o ser se diz em múltiplos significados, mas sempre em referência a uma unidade e a uma realidade determinada”[3]. Assim, “algumas coisas são ditas ser porque são substância, outras porque [são] afecções da substância, outras porque são vias que levam à substância, ou porque são corrupções, ou privações, ou qualidades, ou causas produtoras ou geradoras tanto da substância como do que se refere à substância, ou porque [são] negações de algumas destas ou, até mesmo, da própria substância”[4] – “por isso até mesmo o não-ser dizemos que ‘é’ não-ser”[5]. Deste feito, a tarefa da Metafísica, que é uma ciência única, consiste em estudar as várias espécies de ser enquanto ser, e uma vez que “o ser e o um são a mesma coisa e uma realidade única”[6], a Metafísica se ocupa tanto da substância quanto da unidade. Finalmente torna-se evidente que a esta ciência “pertence o estudo do ser enquanto ser e das propriedades que a ele se referem, e que a mesma ciência deve estudar não só as substâncias, mas também as suas propriedades, os contrários (…), e também o anterior e o posterior, o gênero e a espécie, o todo e a parte e as outras noções desse tipo”[7].

Por fim, no Capítulo Terceiro, Aristóteles “estabelece que é de competência da ciência do ser também o estudo dos princípios lógicos fundamentais, dos quais o primeiro é o de não contradição”[8] onde inclui-se também os axiomas – por ser evidente que eles “pertencem a todas as coisas enquanto todas são seres”[9] – e o silogismo – definido nos Primeiros Analíticos como “um argumento no qual, certas coisas tendo sido postas, algo diferente resulta, em função delas, da necessidade”[10].


[1] Metafísica, Γ, IV, 1, 1003a.

[2] REALE, Giovanni. Aristóteles Metafísica: Ensaio introdutório. 3ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 2014, p. 132.

[3] Metafísica, Γ, IV, 2 1003a.

[4] Metafísica, Γ, IV, 2 1003b.

[5] Metafísica, Γ, IV, 2 1003b.

[6] Metafísica, Γ, IV, 2 1003b.

[7] Metafísica, Γ, IV, 2 1003b.

[8] REALE, Giovanni. Aristóteles Metafísica: Ensaio introdutório. 3ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 2014, p. 132.

[9] Metafísica, Γ, IV, 3 1005a.

[10] Primeiros Analíticos, 24b, 18-20.

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Categoria: Filosofia, Filosofia Antiga, Metafísica e Ontologia

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de Filosofia (Universidade Federal de Pernambuco - UFPE), tenho paixão pelo mundo. Busco conhecer a vida em seus mais íntimos aspectos: desde a origem do primeiro ser ao que está se desenvolvendo no imensurável circulo existencial. Prezo pela comunicação afetiva e verdadeira e, através de tais encantos, vivencio a Palavra em seus mais profundos aspectos, isto é, o conhecer e o comunicar.

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