Morte e suicídio em Spinoza

| 23/06/2016 | 10 Comentários

Não sou mais aquele, não sou outro,
sou a poeira da ampulheta virada para baixo,
depois para cima, uma partícula do meu próprio cosmo que o
tempo sopra para debaixo desse ciclo, nada mais,
porque sei que lá atrás outros em mim existiram
e lá adiante outros se multiplicarão na minha pele
apesar dessa carcaça que se encolhe, se enruga,
se transforma desde o ventre e se flagela com o passar dos anos.
Passa, tempo! Passa logo tuas plumas de pedra no meu rosto
e encerra essa história com os teus pulsares de silêncio,
não peço mais do que isso, porque sabes que minha força
parece derivar justamente do drástico, do derradeiro, do quase abismo.” *

Quando abriu o quarto selo, ouvi o quarto animal exclamar: Vem!
E eu vi: era um cavalo esverdeado.
Quem o montava chama-se “a Morte”,
e o Hades o acompanhava  – Ap 6.7-8 TEB.

Leonardo Alenza e Nieto, 1839.

Leonardo Alenza e Nieto, 1839.

A morte é a grande muságete(1) da filosofia – sua inspiração; sua inspiradora. Desde que o humano tem consciência de si e dos demais seres a morte tem se tornado motivo de preocupação. Afinal, nos dirá Sêneca, “a morte está em todo lugar“, e o homem nada mais é do que um ser para (ou diante da) morte – da morte daqueles que o cercam bem como da sua própria. Pode-se dizer que esta foi preocupação onipresente em todos – ou quase todos – os filósofos. A morte é combustível de angústia para uns, escape ou porta de entrada para outros, ou ainda: um sono sem sonhos. Tal como no filme O Sétimo Selo(2), por mais que as pessoas fujam da morte, ela é a grande vitoriosa no fim de tudo. É ela quem nos arrasta para o Hades. A casuística da morte parece interessante, comovente; razoável e inspiradora; clara e ao mesmo tempo cheia de mistérios insondáveis. É a atração pelo trágico – e neste texto apresento senão sua “tragicidade” a partir da combinação da ideia de morte total e da concepção da morte como evento natural, inato na finitude da vida humana com o saber antecipatório, ainda que indefinido, do ser humano sobre sua morte futura emergiu a tentativa filosófica de interpretar a morte como consumação da existência individual.(5) Desta combinação entre morte total e morte como evento natural, abordarei esta última concepção sobretudo a partir da ótica spinoziana. Ainda, em um  segundo momento, abordarei um tema que  em princípio parece controverso no pensamento de Spinoza: o suicídio. Aqui reside sua maior dificuldade pois segundo o autor da Ética:

A mente, quer enquanto tem ideias claras
e distintas, quer enquanto tem ideias confusas,
esforça-se por perseverar em seu ser por uma
duração indefinida, e está consciente desse seu
esforço – (E3,9).
Em outras palavras, Spinoza utiliza aqui aquilo que ele chama de conatus, isto é, o esforço que cada componente da Natureza faz para conservar sua existência. No homem, esse esforço vai das necessidades mais básicas, como comer, beber, dormir e abrigar-se, às mais elaboradas, como produzir cultura. Nesse sentido, o homem não “escolhe” manter-se vivo. Ele é  levado, pelo conatus, a agir para isso. Dito isto, a problemática está posta: Se o conatus é o esforço de conservar a própria existência por que alguns indivíduos (e não poucos) cometem suicídio?

O conceito de caráter naturalista

A morte não é bela nem feia: a sua beleza ou feiura
é preparada por toda a vida, que, se bela e “boa”, faz
belo e bom o ato de morrer. Uma  “boa  morte”,   no
sentido mais forte, é “viver” o momento na presença
da vida  inteira  e da  existência integral  com toda a
humanidade da qual o homem faz parte – M.F. Sciacca.

Benedicto (ou Bento) de Spinoza (1632-1677) viveu em um século marcado por tumulto científico, intelectual, político e religioso que deu origem a muitos “sistemas” filosóficos. Embora tenha participado animadamente desses impasses intelectuais de sua época, a filosofia, para Spinoza, não era uma arma, mas um modo de vida, uma ordem sagrada cujos servidores eram transportados para uma felicidade suprema e certa.(6)Sspinoza foi inovador e bastante original, mesmo sendo de origem judaica reformulou todo o conceito de Deus. Um Deus que até então era tido como transcendente, passa agora a ser visto como imanente; um Deus panteísta, deísta… ou seja, a “força racional e necessária que rege a realidade segundo leis inteligíveis”, explica Marilena Chaui. Isso, obviamente causou espanto entre seus pares e lhe custou a expulsão e excomunhão. Ele foi amaldiçoado:

Maldito seja ele de dia, e maldito seja de noite; maldito seja quando deita, e maldito quando levanta; maldito seja quando sai e maldito seja quando retorna, o Senhor não o perdoará; a cólera e a fúria do Senhor se acenderão contra esse homem e trarão sobre ele todas as maldições escritas no livro da Lei; e o Senhor apagará seu nome debaixo do céu; e, por sua má conduta, o afastará das tribos de Israel, com todas as maldições do firmamento escritas no livro da Lei (…) Ordenamos que ninguém se comunique com ele verbalmente ou por escrito, nem lhe faça qualquer favor, nem permaneça a menos  de quatro côvados dele, nem leia qualquer coisa composta ou escrita por ele.

De fato Spinoza foi chamado de sabotador espiritual, subversor das coisas legalmente estabelecidas e um advogado do diabo. Quiçá, mexeu com tabus. Entre esses tabus inclui-se o da morte. O que era a morte para Spinoza?

Primeiramente é preciso entender que para Spinoza “os homens não  são criados, mas somente gerados; os seus corpos existiam antes, embora formados de outro modo”. Gerados, isto é, um produto da natureza, da sua própria essência: Cada homem, é assim, um indivíduo estendido; um retalho de tecido, um modo finito do atributo infinito da extensão. O homem enquanto matéria é pré-existente. Em suma, a morte é uma necessidade imanente. Segundo Sciacca “Na existência de duração ou temporal, os indivíduos, partes da natureza, estão sujeitos às vicissitudes do devir, que os modificam incessantemente, e a morte é uma das tantas modificações de suas essências”(7). Aqui temos a sutil diferença entre imortalidade e eternidade. O homem, nessa concepção é eterno, não imortal. Sendo assim, a morte, é apenas algo “natural”. É o retorno à Natureza eterna. Michele Federico Sciacca torna mais  claro ao afirmar “aquela que Spinoza chama experiência da minha eternidade é experiência da própria Eternidade naquele ‘modo’ finito e transeunte  que eu sou. É suficiente unir a ideia do meu corpo àquela de Deus e não a uma causa externa; pôr o meu ser na eternidade divina, enquanto o ser de mim gerado e não criado não existe o ser deste ou daquele homem: existe somente modos contingentes, ‘indivíduos extensos’, cuja forma varia na infinitude dos atributos, sem que nada suceda na ordem imutável e indiferente da Necessidade. Spinoza afirma que a mente humana não pode ser destruída absolute com o corpo que ela aliquid permanet quod aeternum est, mas para acrescentar em seguida  que se lhe pode atribuir uma duração determinável no tempo, só enquanto exprime a atual existência do corpo”. Seguindo essa mesma linha de pensamento, Sciacca prossegue afirmando que: um aliquid impessoal,  que existiu antes de vestir um corpo e existente eternamente depois, sem que isso tenha alguma memória. Aqui a diferença entre vida no tempo e a morte: no tempo, eu existo segundo o modo; depois da morte, de essência não mudada, existo segundo a substância, isto é, na eternidade sem modos e  sem tempo.

“Homicídio” imaginário – Há mesmo suicídio?

Le soleil ni la mort ne se peuvent  regarder en face
Nem o Sol nem a morte podem ser olhados fixamente – La Rochefoucauld.

Vimos que para Spinoza a morte é imanentemente necessária. A morte não é uma punição como pensava Pascal. Spinoza entendia que embora vá ocorrer necessariamente, não faz parte da natureza de uma coisa. Aliás, nem poderia ser diferente, já que toda coisa é entendida como um esforço para perseverar na existência conforme vimos acima no conceito de conatus.
Na proposição 4 da parte 3 da Ética, lemos:
Nenhuma coisa pode ser destruída, a não ser por uma causa exterior.
Demonstração. Esta proposição é evidente por si mesma. Pois a definição de uma coisa qualquer afirma a sua essência; ela não a nega. Ou seja, ela põe a sua essência; ela não a retira. Assim, à medida que consideramos apenas a própria coisa e não as causas exteriores, não poderemos encontrar nela nada que possa destruí-la.
Dito de outra maneira, a morte sempre vem de fora. Isso não significa que o esforço poderá sempre superar os obstáculos externos: Spinoza diz que, dada uma coisa, sempre há outra mais potente que pode destruí-la. Por isso, as coisas necessariamente morrem, e, nesse sentido, a morte é natural(8) como vimos acima. “Todavia, a morte só é natural em função da totalidade da Natureza, que abrange muitas coisas nocivas umas às outras, mas não em função da natureza da própria coisa que morre. (Luís César Oliva). Se a morte é algo externo como se explica o fato de que algumas pessoas simplesmente põe fim a própria vida? Se tal coisa é esforço de preservar na existência, e, no caso do ser humano, desejo de viver, como pode dar-se que alguns homens se suicidem? A Ética nos responde no escólio 20 da parte 4:

Escólio. Ninguém, portanto, a não ser que seja dominado por causas exteriores e contrárias à sua natureza, descuida-se de desejar o que lhe é útil, ou seja, de conservar o seu ser. Quero com isso, dizer que não é pela necessidade de sua natureza, mas  coagido por causas exteriores, que alguém se  recusa a se alimentar ou se suicida, o que pode ocorrer de muitas maneiras.

A partir de então, Spinoza cita três exemplos de suicídios como causas externas. O primeiro exemplo soa bem estranho a ouvidos contemporâneos e, não seria exatamente um suicídio. Trata-se do caso em que alguém torce o braço de outra pessoa e faz com esta, que segura uma espada, vire-a contra seu próprio peito. O segundo exemplo, Espinoza toma Sêneca como modelo, é aquele que é obrigado a se matar; no caso de Sêneca ele foi coagido por Nero César a cortar os próprios pulsos. “Ou se é obrigado, como Sêneca, pelo mandato de um tirano, a abrir as próprias veias, por desejar evitar, por meio de um  mal menor, um mal maior” (E4,20 escólio).

O terceiro exemplo, sendo o mais complexo  dos três, exige um pouco mais de atenção do leitor. No escólio citado, Espinoza diz: “Ou, enfim, porque causas exteriores ocultas dispõe sua imaginação e afetam seu corpo de tal maneira que este assume uma segunda natureza, contrária à primeira, natureza cuja ideia não pode existir na mente“. Ainda na proposição 10 da P 3, lemos:

Uma ideia que exclui a existência de nosso corpo não pode existir em nossa mente, mas lhe é contrária.(9)

Dessa forma, causas externas podem ser de tal maneira absorvidas pela imaginação, que passamos a crer que somos uma coisa diferente do que somos, e mesmo contrária ao que de fato somos. Segundo Luís César Oliva:

Essa imagem de nós mesmos pode apresentar-nos, por exemplo, como perversos, fracos, como empecilhos para a realização de nosso verdadeiro eu, que cremos ser grandioso e brilhante. Como as duas imagens são conflitantes, podemos ser levados a destruir uma delas, a matar nosso falso eu, que ameaça o outro, e com isso chegamos à autodestruição. Para a imaginação, porém, o homem não mata a si mesmo, mas a um outro que o retinha e consumia; matá-lo, para a imaginação, é lutar a fim de preservar no ser o “eu verdadeiro”, ou seja, mata-se sempre ao outro, nunca a si mesmo.(10)

Vemos, desse modo, que a morte vem de fora, isto é, da imaginação que para Spinoza é um tipo de conhecimento pelo qual somos totalmente determinados mesmo crendo que estamos agindo espontaneamente. Sendo assim, não estamos falando de suicídio, mas de “homicídio” pois imaginariamente mata-se um outro que habita em nós. A única coisa que se possa falar sobre o suicídio é que é a prova cabal de que existe coisas na vida piores do que a morte. E essas “coisas” pedem estar somente em nosso imaginário.

*Personagem Ardenas Onírio do livro FÁBULAS DA FEBRE – Carlos Tavares de Melo

(1) Muságeta: na verdade, aquele que conduz as musas; amigo e protetor das musas, das ciências, das artes. Apelido de Apolo e Hércules. Esse termo é utilizado por Arthur Schopenhauer num ensaio organizado por Ernest Ziegler  SOBRE A MORTE, pensamentos e conclusões sobre as últimas coisas. São Paulo. Ed Martins Fontes 2013.

(2) Relançamento 23 de julho de 2015
Data de lançamento 27 de julho de 1959 (1h 36min)
Direção: Ingmar Bergman
Elenco:Gunnar BjörnstrandBengt EkerotBibi Anderssonmais
GênerosDramaFantasia
NacionalidadeSuécia
Breve sinopse: Após dez anos, um cavaleiro (Max Von Sydow) retorna das Cruzadas e encontra o país devastado pela peste negra. Sua fé em Deus é sensivelmente abalada e enquanto reflete sobre o significado da vida, a Morte (Bengt Ekerot) surge à sua frente querendo levá-lo, pois chegou sua hora. Objetivando ganhar tempo, convida-a para um jogo de xadrez que decidirá se ele parte com a Morte ou não. Tudo depende da sua vitória no jogo e a Morte concorda com o desafio, já que não perde nunca.
Vide ainda: http://erivan82.blogspot.com.br/2015/09/o-setimo-selo-o-jogo-da-morte.html

(3) Nesta citação utilizo a Bíblia Tradução Ecumência – TEB. Edições Loyola. Tradução vinda do francês La Bible – traduction aecuménique de la Bible.

(4) Caso o leitor se interesse pelo tema da morte no período medieval recomendo como leitura o excelente livro do historiador Philippe Ariès O HOMEM DIANTE DA MORTE São Paulo. Ed UNESP 2013. Ainda o excelente tratado de Johan Huizinga O OUTONO DA IDADE MÉDIA. São Paulo Ed CosacNaify. Sbretudo o capítulo 11 A imagem da morte pág 221.

(5) Vide PANNENBERG, Wolfhart – TEOLOGIA SISTEMÁTICA tomo 3 pág 730. São Paulo. Ed Paulus 2009.

(6) SCRUTON, Roger. Espinoza São Paulo. Ed Loyola 1996. pág 11

(7) SCIACCA, Michele Federico. Morte e imortalidade. São Paulo. Ed É Realizações 2011 pág 46.

(8) OLIVA, Luís César. Existência e a morte, A. São Paulo. Ed Martins Fontes 2012 pág 49

(9) Vide ainda E, P 3 prop. 5; corol. da prop. 9 da P. 2; prop 11 e 13 da P. 2. Nessa citações eu utilizei a Ética publicada pela editora Autêntica edição de 2009. trad Tomaz Tadeu.

(10) OLIVA, Luís César. Existência e a morte, A. São Paulo. Ed Martins Fontes 2012 pág 53.


Bibliografia básica

SCIACCA, Michele Federico. Morte e imortalidade. São Paulo. Ed É Realizações 2011
OLIVA, Luís César. Existência e a morte, A. São Paulo. Ed Martins Fontes 2012

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Categoria: Filosofia, Filosofia da Natureza, Filosofia Moderna

Sobre o(a) Autor(a) ()

Faço licenciatura em Filosofia pelo UNIFAI. Anteriormente cursei teologia e históra. Escrevo periodicamente em meu Blog Retratos da Alma (erivan82.blogspot.com.br).

Comentários (10)

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  1. Sonhos e suas depressões – Oficina de Textos | 20/12/2017
  1. Ana Elizabeth disse:

    Concordo com Spinoza em que quando alguém se suicida é porque está sendo coagido por causas exteriores, por exemplo, quantos não se suicidaram por dores existências decorrentes das opressões sociais, como o machismo, o capitalismo, o sistema educacional acadêmico? Mas daí inferir que o suicídio é um homicídio já vejo uma impossibilidade silogistica

  2. Erivan Silva disse:

    Sim, o homicídio, neste caso é de fato uma impossibilidade, por este motivo, tomei o termo em sentido simbólico, por isso o utilizo entre aspas. No meu entendimento o desejo é de se matar o outro sendo pois o outro que habita em mim, logo não seria suicídio e sim “homicídio” já que quem mata, mata a outro ainda que imaginário.
    Abraço

  3. Ana Elizabeth disse:

    Você quer dizer o desejo de matar a exterioridade que há no eu (interior)? Se não me engano Spinoza entende que o suicídio acontece quando o indivíduo não consegue mais se autodeterminar e já que a autodeterminação é a liberdade do homem, ele se mata oprimido. Eu penso o contrário. O suicídio é um fato social, um ato político e por isso uma arma poderosa. É o oposto do que diz Spinoza: o suicídio é um modo de dar fim à opressão

  4. Estou de acordo que o suicídio pode ser visto como um ato político. No entanto os vários modos de suicídio, factuais ou simbólicos, políticos ou espirituais, visíveis ou invisíveis, todos eles, são técnicas para eliminar o sofrimento quando “se está a afirmá-lo com uma faca”; suicida-se; mata-se o contrato, mata-se o corpo, mata-se a sociedade. A dor psicológica é individual, mas o suicídio é sempre uma dor plural. Vivos somos uma parte autônoma, mortos uma parte subordinada, que não carece do outro mas é carecente e corruptora de si. O suicídio é uma corrupção política, corporal e anímica. O suicídio não é um sofrimento que morre mas um sofrimento que sofre. O suicídio é, por excelência, um sofrimento que vive.

  5. Ana Elizabeth disse:

    Natália, o suicídio não é uma corrupção política, mas a negação da mesma. O sujeito está oprimido? Matando-se, mata a opressão que sofre

  6. Aí que está: o suicídio não nega a dor, mas a afirma. Decerto o suicídio não é uma técnica de negar a dor que se sente (como a meditação), mas uma prática de afirmar a condição sofrível, de assegurar-se enquanto um eu que sofre

  7. Erivan Silva disse:

    Lembrando o que Spinoza diz:Escólio. Ninguém, portanto, a não ser que seja dominado por causas exteriores e contrárias à sua natureza, descuida-se de desejar o que lhe é útil, ou seja, de conservar o seu ser. Quero com isso, dizer que não é pela necessidade de sua natureza, mas coagido por causas exteriores, que alguém se recusa a se alimentar ou se suicida, o que pode ocorrer de muitas maneiras. Ou seja, Ana, o suicídio é algo que sempre vem de fora do indivíduo. Lembra-se do conatus? Para Spinoza é inconcebível que o ser se autodestrua. Concordo com vocês duas a afirmarem que o suicídio é um fato social (Durkheim), político, religioso etc. mas, entendo que o filósofo está tratando com algo muito novo até então: o caráter subjetivo do ato propriamente dito. Nesse sentido acho que a Natalia é feliz ao afirmar: “A dor psicológica é individual, mas o suicídio é sempre uma dor plural”. Portanto não nos esqueçamos do perspectivismo sob o qual o suicídio possa ser analizado.

  8. Acid disse:

    Pena que a segunda hipótese de Espinoza não é verificável. Existem tantos tipos de suicídios, tantas motivações… Por exemplo, no Japão era-se ensinado que a morte em combate era algo glorioso, até mesmo desejado, e foi o que alimentou os Kamikazes. Nas guerras também ocorrem o suicidio autruista, para salvar os companheiros. Como conceber esses tipos de suicidio na visão de Espinoza?

  9. Erivan Silva disse:

    Penso que a resposta seja a mesma: “A morte é algo que vem de fora”. Então, basta perguntar o porque de alguém cometer suicídio e logo se percebe que o motivo é algo externo… Como você mesmo citou o altruísta se mata POR CAUSA do outro, o kamikaze (lit. vento divino) morre em nome da nação (POR CAUSA DA NAÇÃO)/ do grupo social, e morrer de maneira gloriosa é pela honra (POR CAUSA DA HONRA) que se mata. Entendo que Spinoza responde a estas questões na terceira forma de suicídio, que em suma, é algo externo ao indivíduo.

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