Olhos fechados

Sinto os fatos em minha cabeça
Correndo no papel com tinta preta

Sinto a chuva que cai na noite
Mas sinto medo de fechar a janela
Por onde o orvalho entra

Pois sinto ainda mais
Que já demais fechei os olhos
Para mais e mais fenômenos vividos

Eu não aceitei as manhãs de chuva
Não aceitei o passar das noites
Não aceitei dias dos quais vivi

Hoje minhas principais lembranças
São turvas como a neblina;
Eu estava sozinha

De olhos tão cerrados
Que o único espaço
Entreaberto da minha alma
Era por onde as lágrimas se despiam

Não sei qual a cor do meu passado
Pois se de algo me recordo
É do tempo acinzentado

E da cidade frívola
Onde não havia sequer
Um coração aberto
Para narrar a mim presente
Minha própria história esquecida

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Categoria: Poesias

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de Filosofia (Universidade Federal de Pernambuco - UFPE), tenho paixão pelo mundo. Busco conhecer a vida em seus mais íntimos aspectos: desde a origem do primeiro ser ao que está se desenvolvendo no imensurável circulo existencial. Prezo pela comunicação afetiva e verdadeira e, através de tais encantos, vivencio a Palavra em seus mais profundos aspectos, isto é, o conhecer e o comunicar.

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