Comunidade e imunidade em Roberto Esposito

roberto-espositoObservando no pensamento de Roberto Esposito a presença de categorias como communitas (comunidade) e immunitas (imunidade), se faz necessário afirmar que esta primeira se dá pela conjugação dos radicais cum e múnus, uma vinculação (cum), uma obrigação (múnus) entre os indivíduos desta conjugação, qual seja, a comunidade. Em sentido diverso, se utilizando somente de múnus, acrescido de um prefixo de negação, temos a immunitas.

Desvinculadas as pessoas, em algum sentido, na presença da imunidade, pode-se observar que esta se dá com propósito de alguma defesa, sendo que a potencialização desta é a auto-imunidade, a qual pode destruir o próprio “organismo”. Podemos perceber tanto na comunidade, quanto na imunidade, a presença de um múnus, uma obrigação, no primeiro em sentido positivo, afirmando um vínculo, enquanto no segundo, decorrente de seu prefixo de negação, uma obrigação desvinculadora.

A biopolítica tem como objeto a vida, por isto bios, vida qualificada, presente como prefixo radical da categoria supracitada. No pensamento de Esposito, esta terá como fundamento a reflexão sobre a comunitas, obrigação vinculante entre as pessoas, que podem, no entanto, se dar de forma diversa, quando na presença de uma ameaça, “ativando” a imunidade, processo de imunização, isolamento.

Desta forma, pode-se afirmar que a comunidade é o local da inclusão excludente decorrente do fato de que, quando determinada pessoa for considerada uma ameaça, esta pode ser excluída, como já o era no processo de inclusão excludente, próprio da comunitas. Ou seja, categorias como a comunidade como fundamento da biopolítica se dá pela sua incidência na vida, no sentido de uma inclusão excludente.

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Categoria: Direito, Ética e Cidadania, Política

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3, 7, 96. Estudante de Direito e do que vier aos olhos.

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