Monarquia: As Razões Reais de Mário Saraiva

Quem não vê que o mecanismo da chefia republicana é um fator periódico e persistente de desunião e de luta interna? Quem não vê que o ato fundamental e mais solene do sistema republicano é aquele que mais fere e contraria a unidade nacional? Como nos pode prometer união um regime que nos obriga contrariamente à divisão e à luta?”.

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Mário Saraiva, nas Razões Reais, nos traz brilhantemente uma questão indispensável para a base de toda a vida social – a política, a arte que marca um sentido na história da nação e decide o seu futuro – e por meio dela, a razão da primazia monárquica sobre a forma republicana da chefia do Estado.
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Quer dizer, porque um Presidente, já que é eleito, representa apenas uma parcela da população (os seus eleitores), ele continuadamente se restringirá, se limitará, automaticamente, a função representativa, e será sempre o poder dos vencedores sobre os vencidos. O Rei, ao contrário, porque é único em suas condições, não provoca divisões nem rivalidade; “O Poder Real – diz Saraiva – não tem cor política”.

Torna-se vero: enquanto as campanhas eleitorais fazem-se em grande parte um negócio com empresários e financiadores nos bastidores, dividindo adiante a população em conflitos partidários contrários, o Rei, em contraposição, tem um carácter nacional e pacífico, coordenado, congregado, unificado. Além disso, conforme Saraiva notavelmente diz, “O conceito da unidade monárquica não é o de unanimidade política; é o da harmonia do conjunto nacional”.

Harmonia esta que só um homem com preparação adequada está apto a efetivar – e este homem não pode ser um estranho às delicadas funções a que ascende (como o Presidente, que é um improvisado, um experimento, que quando passa pela auto-aprendizagem de seu cargo, chega ao fim do seu mandato, e com ele um novo eleito experimental). Sendo assim, somente um Rei, isto é, um homem familiarmente integrado em seu ambiente, que desde a primeira infância recebe uma educação extremamente cuidada e tendente à sua missão, pode executar virtuosamente – e fazer valer – uma nação.

Sendo assim, uma nação em verdade só se faz com um Rei – que é de todos e é para todos. Um Presidente, ao contrário, é uma legenda partidária, uma força rodeada de forças contrária. O Rei, do lado avesso, é a personificação da Pátria, é o procurador dos descaminhos do Reino, é o defensor da Nação perante o Estado.

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Categoria: Direito, Ética e Cidadania, Política

Sobre o(a) Autor(a) ()

Criada numa família judaica, fui abençoada por ter um tio judeu messiânico. Através dele cresci ouvindo as histórias de Yeshua. Hoje além de seguir o Cristianismo, me dedico a estudar o Tradicionalismo e as Letras Clássicas.

Comentários (1)

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  1. Ezequiel disse:

    Muito bom Maria.

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