Por que é improfícua a busca do filosofar sem a tradição (História da Filosofia)?

Sobre isso, Aristóteles diz algo muito interessante: que a investigação sobre a verdade é, sob certa ótica, difícil, mas, sob outra, fácil. Isso porque, por um lado, ninguém sozinho consegue adquirir conhecimento de maneira significativa, embora todos, em conjunto, não falhem por completo. Por que não? Porque embora o que cada um individualmente afirme sobre um assunto seja de pouca ou nenhuma contribuição, todavia, congregando-se todos, surge algo de certa monta. Em contrapartida, o fato de ninguém, em suas ermas reflexões, conseguir alcançar o todo e as partes concomitantemente, por si só, mostra a dificuldade das investigações. Mas Aristóteles reconhece algo tão importante quanto: que a causa dessa dificuldade não reside nas coisas, mas em nós. Por que em nós? Porque as coisas são o que elas são, sem dificuldade para que sejam, ao passo que a nossa inteligência é maximamente eficiente quanto às coisas que, por natureza, são evidentes, mas temos dificuldade para ver os pontos mais obscuros. Isso de tal forma que precisamos nos apoiar e ter gratidão pelos antigos: não apenas para com aqueles de cujas opiniões compartilhamos, mas também para com os que se pronunciaram de maneira oposta, pois também eles deram alguma contribuição: prepararam nossa disposição. Inclusive, essa gratidão e apoio incide na importância da dialética, cujo fim é alcançar a opinião mais provável a fim de antever a verossimilitude ou a inverossimilitude das opiniões até então apresentadas. Em suma, quem pensa sozinho, sem apoio na tradição, pode sim acertar em alguma parte, mas não de forma muito significativa, pois mui frequentemente vai se esbarrar em vias aporéticas que já foram melhor encaminhadas, ou propor soluções aparentemente brilhantes que todavia já foram refutadas; mas se esta pessoa parar para ver o conjunto das opiniões, vai encontrar pensamentos que não falham por completo e, por verossimilhança, apontam para a verdade.

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Categoria: Filosofia Antiga, História da Filosofia

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de Filosofia (Universidade Federal de Pernambuco - UFPE), tenho paixão pelo mundo. Busco conhecer a vida em seus mais íntimos aspectos: desde a origem do primeiro ser ao que está se desenvolvendo no imensurável circulo existencial. Prezo pela comunicação afetiva e verdadeira e, através de tais encantos, vivencio a Palavra em seus mais profundos aspectos, isto é, o conhecer e o comunicar.

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